sábado, 19 de março de 2016
domingo, 13 de março de 2016
sexta-feira, 11 de março de 2016
Canto dos Espíritos sobre as Águas
A alma do homem
É como a água:
Do céu vem,
Ao céu sobe, e de novo tem que descer à terra,
Em mudança eterna.
Corre do alto rochedo a pino o veio puro,
Então em belo pó de ondas de névoa
Desce à rocha lisa,
E acolhido de manso vai, tudo velando,
Em baixo murmúrio,
Lá para as profundas.
Erguem-se penhascos de encontro à queda
— Vai, 'spúmando em raiva, degrau em degrau para o abismo.
No leito baixo desliza ao longo do vale relvado,
E no lago manso pascem seu rosto os astros todos.
Vento é da vaga o belo amante;
Vento mistura do fundo ao cimo ondas 'spumantes.
Alma do Homem,
És bem como a água!
Destino do homem,
És bem como o vento!
Johann Wolfgang von Goethe, in "Poemas"
É como a água:
Do céu vem,
Ao céu sobe, e de novo tem que descer à terra,
Em mudança eterna.
Corre do alto rochedo a pino o veio puro,
Então em belo pó de ondas de névoa
Desce à rocha lisa,
E acolhido de manso vai, tudo velando,
Em baixo murmúrio,
Lá para as profundas.
Erguem-se penhascos de encontro à queda
— Vai, 'spúmando em raiva, degrau em degrau para o abismo.
No leito baixo desliza ao longo do vale relvado,
E no lago manso pascem seu rosto os astros todos.
Vento é da vaga o belo amante;
Vento mistura do fundo ao cimo ondas 'spumantes.
Alma do Homem,
És bem como a água!
Destino do homem,
És bem como o vento!
Johann Wolfgang von Goethe, in "Poemas"
sábado, 20 de junho de 2015
Sunset
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"
terça-feira, 16 de junho de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
domingo, 22 de fevereiro de 2015
A minha ilha encantada (para os meus alunos)
Era uma bela manhã de inverno, o
gelo cobria os telhados e o vento frio abanava as portadas da minha janela. Há
dias que olhava para o barco do meu avô e pensei que tinha chegado o dia de
partir à descoberta da minha ilha encantada: um local com uma grande variedade
de vegetação muito verdejante, flores multicolores e perfumadas, florestas
povoadas por inúmeros pássaros exóticos e animais pacíficos.
Desci à praia, a brisa marítima
empurrava-me para a aventura e o barco deslizou pelas águas rumo ao
desconhecido. Repentinamente as ondas aumentaram e eu perdi o controle da
embarcação. Senti que o desespero se apoderava de mim quando uma enorme onda entrou
dentro do barco e perdi os sentidos.
Acordei em terra firme, a imensa
e variada vegetação colorida e o perfume que se espalhava à minha volta parecia
pura magia. Seria a ilha que eu procurava? Decidi percorrê-la de uma ponta à
outra, o sol brilhava no horizonte e quando regressava à praia vi sombras que
fugiam e ouvi murmúrios. Parei a escutar e percebi a mensagem « Bem vinda à
ilha de Oz!».
Pensei no feiticeiro e no desejo
que sentia em conhecer o seu segredo, o segredo daquela ilha e fiquei tão
feliz.
Subitamente senti as pernas a
tremer, julguei que o medo se apoderava de mim, mas depressa percebi que estava
sobre areias movediças, desatei a correr em direção ao barco e afastei-me.
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