sexta-feira, 11 de março de 2016

Canto dos Espíritos sobre as Águas

A alma do homem
 É como a água:
 Do céu vem,
 Ao céu sobe, e de novo tem que descer à terra,
 Em mudança eterna.
 Corre do alto rochedo a pino o veio puro,
 Então em belo pó de ondas de névoa
 Desce à rocha lisa,
 E acolhido de manso vai, tudo velando,
 Em baixo murmúrio,
 Lá para as profundas.
 Erguem-se penhascos de encontro à queda
 — Vai, 'spúmando em raiva, degrau em degrau para o abismo.
 No leito baixo desliza ao longo do vale relvado,
 E no lago manso pascem seu rosto os astros todos.
 Vento é da vaga o belo amante;
 Vento mistura do fundo ao cimo ondas 'spumantes.
 Alma do Homem,
 És bem como a água!
 Destino do homem,
 És bem como o vento!

 Johann Wolfgang von Goethe, in "Poemas"

sábado, 20 de junho de 2015

Sunset

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Sugestão de leitura


             
            I appreciate you, Malala. You are strong and determined.  DC

terça-feira, 24 de março de 2015

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A minha ilha encantada (para os meus alunos)



Era uma bela manhã de inverno, o gelo cobria os telhados e o vento frio abanava as portadas da minha janela. Há dias que olhava para o barco do meu avô e pensei que tinha chegado o dia de partir à descoberta da minha ilha encantada: um local com uma grande variedade de vegetação muito verdejante, flores multicolores e perfumadas, florestas povoadas por inúmeros pássaros exóticos e animais pacíficos.
Desci à praia, a brisa marítima empurrava-me para a aventura e o barco deslizou pelas águas rumo ao desconhecido. Repentinamente as ondas aumentaram e eu perdi o controle da embarcação. Senti que o desespero se apoderava de mim quando uma enorme onda entrou dentro do barco e perdi os sentidos.
Acordei em terra firme, a imensa e variada vegetação colorida e o perfume que se espalhava à minha volta parecia pura magia. Seria a ilha que eu procurava? Decidi percorrê-la de uma ponta à outra, o sol brilhava no horizonte e quando regressava à praia vi sombras que fugiam e ouvi murmúrios. Parei a escutar e percebi a mensagem « Bem vinda à ilha de Oz!».
Pensei no feiticeiro e no desejo que sentia em conhecer o seu segredo, o segredo daquela ilha e fiquei tão feliz.
Subitamente senti as pernas a tremer, julguei que o medo se apoderava de mim, mas depressa percebi que estava sobre areias movediças, desatei a correr em direção ao barco e afastei-me.
Ao longe vi línguas de fogo que saíam do cume da montanha  e percebi que a minha ilha encantada tinha entrado em erupção.

Silêncio



O nosso silêncio pode silenciar os outros. 
DC